Esta é a primeira vez que a cidade recebe o grupo de aviadores em comemoração ao 15 de Novembro
Sobral. Hoje, às 9hs, o Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), mais conhecido como Esquadrilha da Fumaça, estará se apresentando na Margem Esquerda do Rio Acaraú em comemoração aos 123 anos da Proclamação da República do Brasil. O EDA é formado por um grupo de pilotos e mecânicos da Força Aérea Brasileira (FAB), que fazem demonstrações de acrobacias aéreas divulgando a FAB no Brasil e no exterior.
Serão sete aeronaves, realizando acrobacias de alta performance FOTO: JOSÉ LEOMAR
Esta é a primeira vez que Sobral recebe a esquadrilha, e a apresentação terá cerca de 50 minutos. Serão sete aeronaves, realizando 22 sequências de manobras e um total de 55 acrobacias de alta performance. Dentre elas, a Formatura Espelho com Seis Aeronaves é uma manobra exclusiva.
A Esquadrilha da Fumaça é formada por 13 pilotos, que se revezam em sete posições de voo a cada demonstração. Toda apresentação conta com sete aeronaves. Em circuitos breves, a equipe se desloca normalmente com 16 militares, sendo oito oficiais nas posições de pilotos, e oito mecânicos divididos em suboficiais e sargentos.
Apenas um dos pilotos não participa da demonstração, pois fica responsável pela locução, juntamente com um auxiliar mecânico. Para ser piloto do EDA, é preciso ser formado na Academia da Força Aérea (AFA) e ter 1.500 horas de voo, sendo 800 delas como instrutores de voo da AFA. Além disso, o oficial deve ser voluntário e precisa ser aprovado por um Conselho Operacional, composto por todos os oficiais do Esquadrão.
Um dos poucos civis que pilotou um avião da EDA foi o jornalista do Dário do Nordeste e piloto desportivo, Tom Barros, no ano de 1996 em Fortaleza. Membro Honorário da FAB, ele conta que o voo com a Esquadrilha foi a realização de um sonho infantil. “Quando era criança sempre observava os pilotos subindo nos aviões antes das apresentações. Nunca pensei que iria voar com eles um dia”.
Tom diz que a experiência de estar entre eles foi inigualável, mesmo tendo realizado outros voos com a FAB. “É uma coisa que eu nunca vou esquecer. Além de ter sido o primeiro, tem toda a emoção. Quando você está lá em cima, são apenas as outras aeronaves de um lado e do outro e é tudo o que você consegue ver. Quando assisto as apresentações da Esquadrilha, sempre é como se eu estivesse lá com eles de novo”.
De acordo com ele, hoje é difícil que um piloto civil tenha permissão de voar com a FAB. A solicitação deve ser feita junto ao Ministério da Aeronáutica em Brasília. O voo que Tom participou era uma demonstração isolada, pela qual ele teve que passar por um treino. Só para aprender a sair do avião, o piloto conta que foram quase 40 minutos de treino. “Ainda hoje tenho a miniatura da aeronave, o vídeo e o álbum que me mandaram. São recordações preciosas desse meu primeiro vôo com a FAB”.
Ele conta ainda que foi convidado para alguns outros voos, como um bombardeio simulado da ponte de Aracati, com o 1/4 Grupo de Aviação (GAV) que pertencia à Base Aérea de Fortaleza e hoje está em Manaus. “Estávamos a 12 mil pés, tudo era milimetricamente calculado. Só quem participou sabe exatamente o que acontece. Para mim, assim como o voo com o Esquadrão, essa foi uma enorme deferência”, admite.
Para quem quer ser piloto, Tom explica que hoje existem três maneiras no País, sendo que para o voo militar são duas opções: AFA ou a Escola Preparatória de Cadetes, sendo o requisito necessário para ser piloto da Esquadrilha da Fumaça. Para quem quer ser piloto civil e fazer disso sua profissão, no Estado existe o Aeroclube do Ceará, localizado no antigo Aeroporto de Fortaleza. “E para quem quer ser piloto desportivo, como é o meu caso, pode se associar a um aeroclube. Faço parte do Catuleve, que fica próximo ao Rio Catu, em Fortaleza”.
Sobral é a última cidade do Estado que será visitada pelo circuito da Esquadrilha de Fumaça no Nordeste. Ontem, eles estiveram durante a manhã em Aracati e à tarde em Fortaleza. Já na quarta-feira, estiveram em Iguatu.
O autônomo Domingos Martins, que mora em Cariré, está em Sobral desde ontem com a família. Segundo ele, além de aproveitar o feriado para visitar os parentes, os filhos irão ter a oportunidade de assistir o espetáculo.
“Não sei quem está mais animado, se sou eu ou se são eles. Nunca vi uma apresentação, mas quando soube que vinha para cidade, busquei na internet vídeos e devo admitir estar muito ansioso”.
Pai de uma menina de 7 anos e um menino de 8, ele afirma já ter comprado até aviões em miniatura para entrar no clima. “Se meu filho quiser, dou o maior apoio para ele entrar na Força Aérea”, brincou.