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Categoria: Costa Negra


16:41 · 08.11.2011 / atualizado às 16:51 · 08.11.2011 por

 

Começa na próxima sexta-feira (11) a terceira edição do Festival Internacional do Camarão da Costa Negra, o Grand Shrimp Festival.  Paralelo ao evento, na Fazenda Cacimbas, acontece até domingo (13) o III Encontro do Arranjo Produtivo Local da Carcinicultura do Litoral Oeste. O Festival apresenta dez renomados chefs de cozinha nacionais e internacionais, além de palestras técnicas e científicas de categorizados especialistas para empresários e pessoas do setor.

O presidente Associação dos Carcinicultores da Costa Negra (ACCN), Livino Sales, a exemplo dos dois anos anteriores (2009 e 2010) chama atenção das autoridades e dos seus companheiros de associação sobre a falta de uma política definida para a regulamentação de licenças ambientais para a produção de camarão em cativeiro.

De sexta a domingo o Festival sedia reunião da Câmara Setorial do Camarão, palestras sobre Arranjos Produtivos Locais da carcinicultura do litoral oeste, julgamento de pratos feitos à base de camarão pelos 10 chefs convidados; casamento do camarão com vinhos e outros ingredientes; cursos rápidos e workshops gastronômicos. Encerrando o festival será entregue o Troféu Mérito Costa Negra.

Para o festival estão confirmados quatro chefs internacionais: Paolo Caldana, presidente mundial da Federazione Italiana Cuochi; Patrick Martin, vice presidente Internacional da Le Cordon Bleu; Bruno Stippe, presidente Brasil da Federazione Italiana Cuochi; e Carlos Soares, secretário geral Brasil da Federazione Italiana Cuochi.

Seis chefs nacionais participam este ano do Festival: Valdemir Segundo, do restaurante Medit (Pará); Camila, do Fashion Gourmet (Ceará); Bia, do Lautrec (Ceará); Liliane, do Vila Mango (Ceará); Thassia Godoi, do Le Tomasco (Ceará); e Stênio, do Maee (Ceará). Os restaurantes oficiais do Festival são o Moana e o Vila Alexandrini.

Cativeiro

A atividade principal da região do Acaraú é a produção de camarão em cativeiro. A bacia do Rio Acaraú é a segunda em importância para o Ceará. Até o mar são 320 quilômetros de extensão.

Na Costa Negra (foz do Rio Aracatimirim, na localidade de Torrões, até a foz do rio Guriú, em Jijoca de Jericoacoara. A região abrange Itarema, Acaraú, Cruz e Jijoca), estão localizados os viveiros de fazendas de carcinicultura. A Costa Negra é o mais importante polo da carcinicultura cearense. A Costa Negra tem 33 fazendas de engorda, quatro unidade de beneficiamento e um laboratório de produção de pós-larvas. A produção anual é de 10 mil toneladas de camarões numa área cultivada de 886,28 hectares. E agora o camarão da Costa negra tem a certificação de qualidade concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) com o selo de denominação de origem Costa Negra.

A Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) aponta que o Ceará ocupa o segundo lugar em produção de camarão no Brasil. Perde para o Rio Grande do Norte. O Ceará tem 180 fazendas de camarão distribuídas em 21 municípios.

Ecologicamente correto

O camarão da Costa Negra, que é base dos pratos, que serão apresentados a partir de hoje, no Festival, é um dos melhores do mundo. Tem casca resistente, cabeça bem presa ao corpo e carne translúcida.  O camarão tipo exportação tem um aroma agradável que lembra a maresia.

“A Costa Negra produz um camarão diferenciado no mercado com rigorosos padrões de qualidade, características particulares do produto, e ainda uma preocupação com o desenvolvimento da região e a preservação do Meio Ambiente”, comenta Livino Sales.

Segundo o empresário, o Rio Acaraú com suas águas escuras é rico em nutrientes, o que ajuda a transformar o solo costeiro na melhor área biológica para a produção do camarão.

Livino Sales destaca que o camarão da Costa Negra é mais pesado e de sabor encorpado por causa dos aspectos físicos da região. “Ele é diferente mesmo. O sabor é outro até porque as frutas desta região são diferentes, e nós ainda trabalhamos com o camarão limpo, livre de antibióticos. Nós usamos o probiótico, ou seja, tudo natural. São bactérias que corrigem o solo e a água, e assim temos um camarão ecologicamente correto”.

Hoje os principais consumidores do Costa Negra são os mercados de Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo. Mas a ideia com o selo conquistado é se voltar para o mercado exterior.

PROGRAMAÇÃO

Sexta-feira (11)
8 horas – Missa na capela Nossa Senhora dos Navegantes.
9 horas – Inscrições e credenciamento, na Secretaria do evento.
10 horas – Solenidade de Abertura, no auditório principal da Fazenda Cacimbas.
14 horas – Palestra ”Microzoneamento Costeiro da Costa Negra. Metodologias e primeiros resultados”, com Márcio Costa Fernandes Vaz dos Santos – engenheiro ambiental, professor adjunto da Universidade Federal do Maranhão, no auditório principal.
15 horas – Palestra “Certificação de Indicação Geográfica: Uma estratégia de inserção no mercado para o Arranjo Produtivo Local (APL) de carcinicultura da Região Costa Negra”, com  Elda Fontineli Tahim, coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica do Instituto Centro de Ensino Tecnológico, no auditório principal.
16 horas – Palestra “Políticas de Desenvolvimento da Aquicultura Brasileira”, com João Felipe Nogueira Matias – secretário de Planejamento e Ordenamento do Ministério da Pesca e Aquicultura, no auditório principal.
20 horas – Festival Gastronômico com julgamento dos pratos.
20h30 – Lançamento do livro “Costa Negra”, de Edgony Bezerra, no auditório principal.
21 horas – Show de Dona Zefa e Sidney Magal, na praça de alimentação.

Sábado (12)
9 horas – Reunião da Câmara Setorial do Camarão com a coordenação de Cristiano Peixoto Maia – presidente da Associação Cearense de Criadores de Camarão (ACCC) e presidente da Câmara Setorial do Camarão da Associação de Desenvolvimento do Ceará-Adece, no auditório principal.
10 horas – Palestra “Farinha de Resíduo do Beneficiamento da Cauda de Lagosta na Indústria de Pesca”, com Juliana Oliveira de Freitas e Adram Lheto dos Santos, professores da Escola Estadual de Educação Profissional Marta Maria Giffoni de Sousa, Acaraú; no auditório principal.
11 horas – Palestra “O Direito adquirido e o Licenciamento Ambiental sob a Ótica da Carcinicultura” com Maria Socorro Sousa Lima – procuradora do Município de Itarema, professora, advogada da ACCN, no auditório principal.
15 horas – Mesa redonda “Desafios para sustentabilidade da carcinicultura marinha cearense no Século XXI” com Flávio Bezerra da Silva – secretário de Pesca e Aquicultura do Ceará; Márcio Costa Fernandes Vaz dos Santos – engenheiro ambiental, professor adjunto da Universidade Federal do Maranhão; Pedro Henrique Martins Lopes – engenheiro de pesca, coordenador da Comissão Técnico-Científica do III Encontro do Arranjo Produtivo Local (APL)da Carcinicultura do Litoral Oeste; Márcio Alves Bezerra – coordenador de Extensão do Instituto Federal do Ceará (IFCE); Luís Parente Maia – diretor do Instituto Laboratório de Ciências do Mar (Labomar); Cristiano Peixoto Maia – presidente da ACCC e CSC da Adece; no auditório principal.
17 horas – Workshop Gastronômico, no auditório Workshop.
20 horas – Festival Gastronômico com julgamento de pratos.
21 horas – Show com as banda Rubber Soul e Luciano Bruno, na praça de alimentação.

Domingo (13)
17 horas – Workshop Gastronômico, no auditório Workshop.
20 horas – Festival Gastronômico com julgamento dos pratos, premiação do grande vencedor do Festival e entrega do Prêmio Mérito Costa Negra.
21 horas – Show com a banda “Os Águias de Barbalha”, na praça de alimentação da Fazenda Cacimbas.

03:45 · 06.11.2011 / atualizado às 03:45 · 06.11.2011 por
Diário do Nordeste/Regional. A Costa Negra do Ceará, integrada por quatro Municípios do Litoral Oeste do Estado do Estado, vem se destacando nos setores gastronômico, turístico e comercial. E foi em razão desses novos leques de oportunidades que despontam nesta região que a Associação dos Carcinicultores da Costa Negra (ACCN) resolveu reunir todos os atrativos – das quatro cidades: Itarema, Acaraú, Cruz e Jijoca de Jericoacoara -, em um livro, chamado “Costa Negra”, de autoria da jornalista Edgony Bezerra, também editora do Caderno de Turismo do Diário do Nordeste.

A iniciativa da obra é do empresário Livino Sales, presidente da Associação. O lançamento acontece no próximo dia 11, durante a abertura do Festival Internacional do Camarão, que será realizado em Acaraú. O livro tem 164 páginas e mostra o potencial paisagístico de todos os Municípios, que fazem parte da Costa Negra e que foram visitados pela jornalista. As belas imagens foram captadas pelos fotógrafos Gentil Barreira e Fábio Arruda. “Escrever sobre Costa Negra foi gratificante, pela descoberta de gente simples e paisagens deslumbrantes de praias ainda selvagens”, afirma Edgony.

Pesquisa

Com a pesquisa para a elaboração do livro, várias descobertas, não só históricas, mas, também, de certo modo, científicas. Uma delas é que, este nome, Costa Negra, não foi dado por acaso. De acordo com Edgony, as quatro cidades que formam a região no Vale do Acaraú tem solo escuro, formado por nutrientes especiais. Antes de ganhar esta denominação, a região passou por um estudo e suas características foram comprovadas por estudiosos em ciências do solo. “É um solo diferenciado, favorável para a alimentação litorânea, própria para a criação do camarão”, disse ela.

O Rio Acaraú e o mar se harmonizam neste fenômeno da natureza, que apresenta depósitos sedimentares submersos, com textura arenosa e constituídos de areia fina de coloração cinza escura. Outro detalhe que a jornalista destaca em seu livro é o afastamento do mar, que recua até três quilômetros em maré baixa, deixando a praia totalmente seca.

Um dos locais próprios para observação deste afastamento é a Praia de Arpoeiras, localizada em Acaraú. “O vai e vem do mar traz nutrientes, que deixam o camarão encorpado”, destacou a jornalista.

Edgony lembrou que a proposta, além de valorizar a região comercialmente, é também tornar toda a área um destaque turístico e gastronômico. “Todos os Municípios que integram a Costa Negra têm seus potenciais”.

E essas potencialidades foram descobertas durante as viagens feitas pela autora do livro às cidades. “Fui em três vezes aos Municípios, conhecer suas histórias, suas paisagens o que tinha de levantamento. Muitas das informações eu consegui na biblioteca pública”. Um dos dados históricos é que Itarema, Cruz e Jijoca de Jericoacoara eram distritos de Acaraú e, com o passar do tempo, se emanciparam. Vale ressaltar, também, as histórias humanas encontradas em cada cidade. No livro, Edgony Bezerra mostra personagens, pessoas de cada Município que são conhecidos por seus trabalhos dedicados às comunidades, como seu José de Fátima Silva, de Itarema, que dedica sua vida à valorização da cultura. Ele criou museu na cidade, onde funciona, também, uma biblioteca com 103 livros raros de mais de 100 anos e musicais do século XV até os dias atuais.

O livro é escrito em Português e Inglês e terá tiragem de três mil exemplares, sendo distribuído com amigos e, posteriormente, vai ficar à venda em livrarias. “Existe, ainda, a ideia de visitar colégios da região para divulgar, entre os estudantes, o que é a Costa Negra e a região onde eles vivem”, finalizou e escritora.

MAIS INFORMAÇÕES
associação dos Carcinicultores da Costa Negra (ACCN)
Rua Expedito Farias, 123, sala 11, Acaraú. www.accn.org.br

NEGÓCIOS
Crescimento sustentável do camarão

A criação do camarão é um dos grandes destaques da Costa Negra, que valoriza as cidades da região

Fortaleza. Devido à existência de solo escuro e os recursos naturais da areia e vegetação, a região da Costa Negra é destaque na produção de camarões e se tornou a melhor área para a produção deste setor. A atividade está sendo desenvolvida em 800 hectares, com uma produção anual de 9 a 10 mil toneladas, de acordo com a Associação dos Carnicicultores da Costa Negra (ACCN).

O presidente da Associação, Livino Sales, lutou e conseguiu a certificação do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), com o selo de Denominação de Origem (DO), o que o torna conhecido mundialmente. “Ele quer divulgar o camarão como o melhor do mundo. Conseguiu, após uma luta de dois anos. No Brasil, só os vinhos gaúchos têm essa certificação. As vinícolas recebem visitantes. E esta é a ideia, fazer com que os locais de criação de camarão também passem a receber visitas de várias partes do mundo e se tornem corredor turístico”, diz Edgony Bezerra. Conforme o diretor técnico da entidade, Clélio Fonseca, nas quatro cidades que compõem a Costa Negra, mantém-se um crescimento sustentável da criação do camarão. “Isso é o diferencial. Enquanto em outros locais têm diminuído, permanece extremamente saudável para o crescimento”.

Mercado

O principal foco da produção, segundo ele, é o mercado brasileiro, no entanto, já estão voltando a entrar no mercado internacional. “Sem esquecer que o Brasil é um do melhores mercados do mundo”. Aqui, os maiores consumidores, conforme Fonseca, são do Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro) e Sul (Santa Catarina).

Sobre o livro, ele destacou que a ideia surgiu a partir da necessidade de valorização da Costa Negra. “Diante da história da região, da produção do camarão diferenciado, sentimos a necessidade de fazer um registro sobre isso e mostra o que é a Costa Negra, documentando tudo”.

Festival

Para marcar todo esse trabalho, será realizado o Festival Internacional de Camarão da Costa Negra e do Encontro do Arranjo Produtivo Local da Carcinicultura do Litoral Oeste, de 11 a 13 deste mês, na Fazenda Cacimbas, em Acaraú. Os eventos chegam à terceira edição, aquecendo o turismo na região e proporcionando a troca de experiências entre chefs brasileiros e estrangeiros.

A programação dos eventos inclui rodada de negócios, palestras e oficinas, cursos, workshops, aulas práticas, festival gastronômico, shows musicais com atrações locais e nacionais e julgamento dos pratos criados pelos chefs participantes da seleção. As atrações musicais são o cantor Sidney Magal e a Banda Dona Zefa, no dia 11, e Luciano Brunno e Bubber Soul, no dia 12.

O Encontro do Arranjo Produtivo Local da Carcinicultura visa a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento do setor, mediante o intercâmbio de conhecimentos que permitam aprimorar experiências, identificar oportunidades e descobrir tecnologias. Na ocasião, deverão ser apresentadas e discutidas inovações em procedimentos de manejo no segmento de larvicultura, na engorda e na indústria de processamento, que integram a cadeia produtiva do camarão cultivado.

Produção

10 mil toneladas de camarão, aproximadamente, é a produção anual, de acordo com a Associação dos Carnicicultores da Costa Negra (ACCN), de todas as cidades que integram a região

Evelane Barros
Subeditora do Regional