
Carlos Dias lança dia 17, às 19 horas, o livro "Ele", no Lenas Buffet, em Sobral
“Ele” é o terceiro livro do professor, jornalista e pedagogo Carlos Dias. O livro é um romance psicanalítico, como o próprio autor define. “Ele” tenta retratar o ser humano em sua essência. Com 100 páginas “Ele” será lançado, na quinta-feira (17), às 19 horas, no Lenas Buffet, com direito a música, teatro, artes plásticas e noite de autógrafo.
Ao escrever a orelha do livro, o educador Tales de Sá Cavalcante diz que já se vão 112 anos e, até hoje, ainda existe a polêmica se Capitu traiu Bentinho ou não, na obra de Machado de Assis. “Talvez, consciente ou inconscientemente, Carlos Dias, de forma magnífica, tenha se inspirado em Machado e Assis ao escrever ‘Ele’. Mas Carlos Dias também ficará a nos dever se a realidade está na verdade masculina e impressionista do Jardineiro ou na verdade feminina e expressionista da Governanta”.
Diferente do primeiro livro “Vida Gera Vida” 1985), que versou sobre a poesia, e do segundo “Dicotomia” (2001), uma rapsódia (termo do Romantismo, no Século XIX usado para classificar as composições que não seguiam uma estrutura fixa. No período do Clássico da Literatura, havia o soneto, uma forma rígida de composição. No Romantismo, o poema perdeu a forma fixa, mas manteve o ritmo, os versos, as ideias, e essa liberdade poética e musical é que deu origem a rapsódia), Carlos Dias volta dez anos depois a publicar uma obra, que antes mesmo de ser lançada oficialmente causa polêmica.
Os seus primeiros leitores questionam “Ele” como “os relatos que nos alertam para a existência deste personagem, ‘Ele’, presente em cada um de nós”, como diz padre João Batista Frota. Mas o professor Almino Rocha Filho destaca “Ele” como “um dos incontáveis causos que Carlos Dias tem catalogado” e diz que “Ele” é o diabo.
Em sua crítica, Tales de Sá Cavalcante, vai mais além: “Cícero (Marcos Tullius Cícero viveu de 106 a 42 anos antes de Cristo), um dos destaques da Roma Antiga, escrevia cartas tão perfeitas sobre homens, revoluções e generais, que seu amigo Comelius dizia não haver necessidade de mais uma descrição da história da época. Já eram suficientes as Cartas de Cícero”. E, segundo Tales, “Carlos Dias em ’Ele’ revela-se, por sua mente flexível, como o filósofo romano Cícero, e a exemplo e Vinicius de Morais, Tom Jobim, Chico Buarque, sua inspiração é o maior nos bares da vida. por isso, este livro poderia ter recebido o nome de “A Cícero”, ao brindar o lugar onde aflora a criatividade de Carlos Dias”.
Tales continua a critica, lembrando, que o autor “preferiu o título ‘Ele’, “mas quer saber objetivamente que é ‘Ele’ significa o mesmo que desejar extrair de Machado de Assis se Capitu era fiel a ela, a Bentinho, à vida ou a ninguém”. Tales arremata afirmando que “talvez daqui a 112 anos ainda não saibamos”.
Em ”Ele”, Carlos Dias conta a história de duas pessoas. Um jardineiro e uma governanta, que vão trocando ideias sobre a existência. “É um mundo de personagens assolados pelos seus condicionamentos de situações”, lembra o professor Marcos Mello, que define o livro como “um mergulho no Eu”.
“Ele, de Carlos Dias está em terceira pessoa retratando as visões de alguém que assume as ‘rédeas’ das vidas de seres à mercê das próprias vontades”, continua Marcos Mello, para ressalvar que “não se preocupe que não é o autor quem faz isso. Ele tem uma estrutura dialogal com Nietsche (filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietsche nascido em 1844 e que viveu até 1900). No enredo não há passividade aparente, há sim sugestivamente o convite a passear, a imaginar cada imagem de abertura dos capítulos”.
Marcos Mello ressalta que “em Ele, a escrita direta e precisa de Carlos Dias revela o poder de síntese e um estilo marcado pela palavra direta, pela frase certeira, como toques de sugestão, de intenções ordenadas, de experiências aparentemente próprias”.
Professor Marcos Mello encerra sua crítica de “Ele” provocando: “imagine-se em cada visão, entrelace sua imaginação a todos os personagens do exótico e simples universo d’Ele. Mas cuidado: ler neste caso é ser cúmplice do fálico desejo”.
Autor da contracapa de “Ele”, Almino Rocha, membro da Academia Sobralense de Letras, diz que o livro de Carlos Dias “apesar de escrito por um pedagogo, este não é absolutamente, um livro destinado ao público amante da Filosofia, nem mesmo ao simples estudo das regras gramaticais de aplicação e uso da terceira pessoa singular do pronome pessoal de quem se fala”.
Para Almino Rocha, “Ele tem tudo a ver com o conjunto de atitudes do indivíduo diante do meio social”. Mas para o crítico a “obra transcende o estreito circulo de paixões e de sentimentos de que nos fala Rebelo da Silva (escritor português Luís Augusto Rebelo da Silva viveu de 1822 a 1871)”.
Almiro Rocha diz que “no Nordeste brasileiro, mais do que um simples pronome, Ele é eufemismo de diabo”. O imortal Almino Rocha identifica em “Ele”, o diabo e tenta justificar esta constatação afirmando que “curioso do comportamento humano, diante de fatos não habituais, Carlos Dias, em suas raríssimas horas ociosas, dedica-se a anotar atitudes inusitadas de um personagem eufêmico: Ele, o diabo”. Será?
Carlos Dias diz que não. “Não vejo ‘Ele’ como o diabo. Vejo-o como um romance psicanalítico, aonde os personagens vão discutindo e mostrando o que há por trás das coisas. Coloco o homem para sentir as dores humanas. O cenário é este. Do homem se discutir. Tento fazer isso numa prosa poética romanceada em períodos curtos, mas muito bem ilustrado por Chico Marçal, um sobralense de traço prefeito, que enriquece o nosso livro”.
Após o lançamento de “Ele”, Carlos Dias, no dia 18 de novembro, no Theatro São João, participa da gravação do DVD do poema Hereditários e logo em seguida pretende estar de feiras de livros e concursos literários com o seu “Ele”.
MAIS INFORMAÇÕES
Lançamento do livro “Ele”, de Carlos Dias, no dia 17 de novembro, às 19 horas, no Lenas Buffet, na Avenida Doutor José Arimatéia Silva, 300 – Bairro Junco – Sobral. Telefone: (088) 3611.5390.