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Categoria: Dengue


07:58 · 23.12.2011 / atualizado às 07:58 · 23.12.2011 por

COMBATE À DENGUE

Oito cidades zeram infestação do Aedes aegypti

23.12.2011

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FOTOS: LAURIBERTO BRAGA
Palheta é retirada da armadilha que captura o mosquito, para exame posterior
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As armadilhas são em forma de baldinho que atraem a fêmea em fase gestacional para câmara escura

Municípios como Sobral têm estratégias para o combate ao mosquito transmissor, como adoção de armadilhas

Sobral Oito cidades cearenses conseguiram zerar o índice de infestação pelo mosquito da dengue este ano. Os Municípios que alcançaram esta meta são Sobral, Alcântaras, Meruoca, Pacujá, Cruz, Carnaubal, Deputado Irapuan Pinheiro e Granjeiro. Autoridades locais destacam a participação dos moradores no combate ao Aedes Aegypti. Em Sobral, por exemplo, o apoio foi fundamental. “Isso aconteceu graças à compreensão dos moradores que estão, há três anos, sem registro óbito. São os sobralenses, os principais responsáveis pelo índice zero”, afirma o secretário de Saúde e Ação Social de Sobral, Carlos Hilton.

“Aumentamos de 300 para mais de 400 armadilhas para pegar o mosquito em fase gestacional, mas de nada adiantaria todos os esforços para combater o mosquito se a população não participasse. É dela todos os méritos dessa vitória de infestação zero”, elogia o secretário. Mas ele alerta: “não podemos dormir nos loiros da batalha vencida. A guerra contra a dengue é diária com os cuidados para não darmos vez à reprodução do mosquito, que data do Egito Antigo, daí o nome Aedes aegypti, ou seja, o Egito disse não ao mosquito”.

Além das armadilhas artesanais (baldinhos atrativos das fêmeas em câmara escura), todas caixas d´água de Sobral foram teladas. O secretário diz que, no começo, as pessoas estavam tirando as telas para pescar. “Mas depois conscientizamos e hoje todas as caixas estão com as telas protetoras”, assegura.

Agentes de endemias da Prefeitura Sobral estão autorizados, por meio de decisão da Justiça, a entrar em todos imóveis e terrenos abandonados para a inspeção contra a dengue. “Claro que, se for preciso, entramos no espaço que esteja trancado. Vamos arrancar o cadeado, fazer a inspeção e mandar a conta para o dono do imóvel”, adverte o secretário de Saúde.

Sobral registrou este ano 89 casos de dengue clássica, mas foram todos importados de outras cidades da Zona Norte. “Teve um surto em Massapê e em Itapipoca e acabamos importando estes casos este ano. Porém, desde 2008, não registramos óbito aqui e estamos sempre alerta para evitar que a epidemia volte”, diz Carlos Hilton.

Como médico, o secretário municipal tem uma opinião clara sobre a dengue. “Ela só será erradicada de vez se soubermos dar atenção à prevenção. A dengue tipo um, dois, três e quatro estão aí. O vírus é mutante. Portanto, todo cuidado é pouco. O Poder Público faz a parte dele, mas tem que ter a colaboração efetiva das pessoas. Coisa que, graças aos sobralenses, está acontecendo aqui”.

Visitas

Sobral está fazendo seis ciclos de visitação às casas no combate à dengue. Além das visitas, uma das armas utilizadas para o combate à dengue é uma armadilha específica para o vetor. O artefato atrai o mosquito pela água e por uma palheta onde ele pode pôr os ovos.

Semanalmente, os agentes de endemia visitam as casas, onde tem 412 armadilhas, para saber se há mosquito na região. A cada semana, é trocada a palheta e levada ao laboratório para ser examinada.

Carlos Hilton ensina que a alternativa para controlar a dengue em qualquer Município não terá sucesso se não for dividida com a sociedade. “Em 2007 nós tivemos uma grande epidemia de dengue aqui em Sobral. 2.190 casos de dengue, oito óbitos e muitos recursos gastos de uma forma angustiante”, relata. Segundo o secretário, o registro de uma epidemia reflete a crise na saúde pública. As emergências dos hospitais ficam lotadas e a população aflita. Para evitar este quadro de caos, desde 2008 o Município de Sobral realiza um processo de correspon-sabilização social.

A meta é fazer com que cada morador do Município se conscientize de sua responsabilidade no combate ao mosquito transmissor da dengue.

FIQUE POR DENTRO

Já são 89.078 casos da doença

Até o dia16 de dezembro, data do último boletim da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), a dengue estava presente em 177 dos 184 Municípios cearenses. Boletim da Sesa aponta a notificação de 89.078 casos, sendo que 55.525 foram confirmados com o registro de 61 mortes. Os óbitos por dengue aconteceram 37 no Interior e 24 em Fortaleza. As mortes no Interior ocorreram Caucaia (5), Itapipoca (3), Maranguape (3), Itaitinga (2), Morada Nova (2), São Gonçalo do Amarante (2), Acarape (1), Aiuaba (1), Chaval (1), Chorozinho (1), Granja (1), Icó (1), Maracanaú (1), Monsenhor Tabosa (1), Ocara (1), Quixadá (1), Tejuçuoca (1), Aratuba (1), Russas (1), Amontada (1), Ararendá (1), Boa Viagem (1), Iguatu (1), Paramoti (1), Aracoiaba (1) e Mombaça (1). Dois outros casos suspeitos de morte por dengue este ano estão sob investigação na Sesa. Um aconteceu no Interior (cidade não revelada pela Secretaria) e outro em Fortaleza.

A dengue está mais presente em Fortaleza (33.760 casos), Maracanaú (2.418), Icó (1.231), Crateús (1.176), Caucaia (1.092), Itapipoca (1.030), Quiterianópolis (655), Santana Quitéria (496), Reriutaba (396), Massapê (388), Crato (380), Quixadá (372), Orós (338), Monsenhor Tabosa (335), Nova Russas (333), Mauriti (322), Barro (310), Varjota (304), Limoeiro do Norte (292), Baturité (292), Granja (286), Coreaú (278), Boa Viagem (267), Iguatu (264), Itatira (258), Ocara (253), Novo Oriente (221), Aracoiaba (219), Pentecoste (216) e Acarape (206).

Mais informações

Secretaria de Saúde do Ceará

Avenida Almirante Barroso, 600 – Praia de Iracema – Fortaleza

Fone (85) 3101.5214/

(85) 3101.5215

LAURIBERTO BRAGA
REPÓRTER

09:30 · 21.12.2011 / atualizado às 09:31 · 21.12.2011 por
Carlos Hilton conta com a participação da população no combate a dengue

Oito cidades cearenses, sendo cinco da Zona Norte, conseguiram zerar o índice de infestação pelo mosquito da dengue este ano. Os municípios que alcançaram este feito são Sobral, Alcântaras, Meruoca, Pacujá, Cruz, Carnaubal, Deputado Irapuan Pinheiro e Granjeiro. “Isso aconteceu graças a compreensão dos moradores, que estão há três anos sem registro óbito. São os sobralenses, os principais responsáveis pelo índice zero”, afirma o secretário de Saúde e Ação Social de Sobral, Carlos Hilton.
“Estamos com mais de 400 armadilhas para pegar o mosquito em fase gestacional, mas de nada adiantaria todos os esforços para combater o mosquito se a população não participasse. É dela todos os méritos dessa vitória de infestação zero”, elogia o secretário. Mas ele alerta: “não podemos dormir nos loiros da batalha vencida. A guerra contra a dengue é diária com os cuidados para não darmos vez a sua reprodução do mosquito, que data do Egito Antigo, dai o nome Aedes Aegypti, o Egito disse não ao mosquito”.
Além das armadilhas arsenais (baldinhos atrativos das fêmeas em câmara escura) todas caixas d’água de Sobral foram teladas. “No começo as pessoas estavam tirando as telas para pescar. Mas depois conscientizamos e hoje todas as caixas estão com as telas protetoras”, assegura Carlos Hilton.
Sobral conseguiu na Justiça entrar em todos imóveis e terrenos abandonados para a inspeção contra a dengue com o trabalho diário dos agentes de endemia. “Claro que se for preciso entramos no espaço que esteja trancado, vamos arrancar o cadeado fazer a inspeção e mandar a conta para o dono do imóvel”, adverte o secretário.
Sobral registrou este ano menos de 100 (89) casos de dengue clássica, mas foram todos importados de outras cidades da Zona Norte. “Teve um surto em Massapê e Itapipoca e acabamos importando estes casos este ano. Porém desde 2008 não registrando óbito aqui e estamos sempre alerta para evitar que a epidemia volte”, diz Carlos Hilton.
Como médico, Carlos Hilton tem uma opinião clara sobre a dengue. “Ela só será erradicada de vez se soubermos dar atenção a prevenção. Os dengues tipo um, dois, três e quatro estão ai. O vírus é mutante. Portanto todo cuidado é pouco. O Poder Público faz a parte dele, mas tem que ter a colaboração efetiva das pessoas. Coisa que graças aos sobralenses está acontecendo aqui”.

A armadilha
Sobral está fazendo seis ciclos de visitação às casas no combate à dengue. Além das visitas, uma das armas utilizadas para o combate a dengue é uma armadilha específica para o vetor. O artefato atrai o mosquito pela água e por uma palheta onde ele pode pôr os ovos.
Semanalmente, os agentes de endemia visitam as casas, onde tem as 412 armadilhas para saber se há mosquito na região. Toda semana é trocada a palheta e levada ao laboratório para ser examinada. A armadilha foi instalada em mais de 400 residências de Sobral.

Números
Até 16 de dezembro a dengue em 2011 estava presente em 177 dos 184 municípios cearenses. Boletim da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) aponta a notificação de 89.078 casos, sendo que 55.525 foram confirmados com o registro de 61mortes. Os óbitos por dengue aconteceram 37 no Interior e 24 em Fortaleza. As mortes no Interior ocorreram Caucaia (5), Itapipoca (3), Maranguape (3), Itaitinga (2), Morada Nova (2), São Gonçalo do Amarante (2), Acarape (1), Aiuaba (1), Chaval (1), Chorozinho (1), Granja (1), Icó (1), Maracanaú (1), Monsenhor Tabosa (1), Ocara (1), Quixadá (1), Tejuçuoca (1), Aratuba (1), Russas (1), Amontada (1), Ararendá (1), Boa Viagem (1), Iguatu (1), Paramoti (1), Aracoiaba (1) e Mombaça (1). Dois outros casos suspeitos de morte por dengue este ano estão sob investigação na Sesa. Um aconteceu no Interior (cidade não revelada pela Secretaria) e outro em Fortaleza.
A dengue está mais presente em Fortaleza (33.760 casos), Maracanaú (2.418), Icó (1.231), Crateús (1.176), Caucaia (1.092), Itapipoca (1.030), Quiterianópolis (655), Santana Quitéria (496), Reriutaba (396), Massapê (388), Crato (380), Quixadá (372), Orós (338), Monsenhor Tabosa (335), Nova Russas (333), Mauriti (322), Barro (310), Varjota (304), Limoeiro do Norte (292), Baturité (292), Granja (286), Coreaú (278), Boa Viagem (267), Iguatu (264), Itatira (258), Ocara (253), Novo Oriente (221), Aracoiaba (219), Pentecoste (216) e Acarape (206).

12:48 · 19.12.2011 / atualizado às 12:48 · 19.12.2011 por
As armadilhas contra a dengue em Sobral agora são em número de 412

Sobral zerou o índice de infestação pelo mosquito da dengue este ano, graças a compreensão dos moradores, que estão há três anos sem registro óbito. São os sobralenses, os principais responsáveis pelo índice zero, afirma o secretário de Saúde e Ação Social de Sobral, Carlos Hilton.
“Estamos com mais de 400 armadilhas para pegar o mosquito em fase gestacional, mas de nada adiantaria todos os esforços para combater o mosquito se a população não participasse. É dela todos os méritos dessa vitória de infestação zero”, elogia o secretário, mas alertando: “não podemos dormir nos loiros da batalha vencida. A guerra contra a dengue é diária com os cuidados para não darmos vez a sua reprodução do mosquito, que data do Egito Antigo, dai o nome Aedes Aegypti, o Egito disse não ao mosquito”.
Além das armadilhas arsenais (caixas atrativas das fêmeas em câmara escura) todas caixas d’água de Sobral foram teladas. “No começo as pessoas estavam tirando as telas para pescar. Mas depois conscientizamos e hoje todas caixas estão com as telas protetoras”, assegura Carlos Hilton.
Sobral conseguiu na Justiça entrar em todos imóveis e terrenos abandonados para a inspeção contra a dengue com o trabalho diário dos agentes de endemia. “Claro que se for preciso entrarmos no espaço que esteja trancado, vamos arrancar o cadeado fazer a inspeção e mandar a conta para o dono do imóvel”, adverte o secretário.
Sobral registrou este ano menos de 100 (88) casos de dengue clássica, mas foram todos importados de outras cidades da Zona Norte. “Teve um surto em Massapê e Itapipoca e acabamos importando estes casos este ano. Porém desde 2008 não registrando óbito aqui e estamos sempre alerta para evitar que a epidemia volte”, diz Carlos Hilton.
Como médico, Carlos Hilton tem uma opinião clara sobre a dengue. “Ela só será erradicada de vez se soubermos dar atenção a prevenção. Os dengues tipo um, dois, três e quatro estão ai. O vírus é mutante. Portanto todo cuidado é pouco. O Poder Público faz a parte dele, mas tem que ter a colaboração efetiva das pessoas. Coisa que graças aos sobralenses está acontecendo aqui”.
A armadilha – Sobral está fazendo seis ciclos de visitação às casas no combate à dengue. Além das visitas, uma das armas utilizadas para o combate a dengue é uma armadilha específica para o vetor. O artefato atrai o mosquito pela água e por uma palheta onde ele pode pôr os ovos.
Semanalmente, os agentes de endemia visitam as casas, onde tem as 412 armadilhas para saber se há mosquito na região. Toda semana é trocada a palheta e levada ao laboratório para ser examinada. A armadilha foi instalado em mais de 400 residências de Sobral.
Calazar – Carlos Hilton participou de uma audiência pública na Câmara de Vereadores sobre o calazar. A doença está controlada em Sobral, mesmo com os cinco óbitos registradis este ano. Com isso o trabalho do Centro de Zoonoses dobrou para que os casos fatais não proliferasse. Já houve um seminário para traçar o plano de combate ao calazar em Sobral.
Dominicana – O secretário Carlos Hilton esteve na República Dominicana, onde se juntou a um grupo de médicos brasileiros, que por uma semana na primeira quinzena de dezembro combateu a mortalidade infantil ali. “Lá a mortalidade infantil é muito alta e vamos levar nossos conhecimentos para ajudar a República Dominicana a reduzir esta triste estatística”, informa o secretário.

18:04 · 06.12.2011 / atualizado às 18:04 · 06.12.2011 por

Itapipoca, Massapê, Acaraú, Camocim e Tianguá estão entre os 26 municípios que a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) vai capacitar equipes para utilização do Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes Aegypti (LIRAa). O LIRAa é uma exigência do Ministério da Saúde para a manutenção do incentivo financeiro às medidas de prevenção e controle da dengue.

Amanhã (7) e quinta-feira (8) supervisores de campo e digitadores dos 26 municípios, além de técnicos de endemias de 19 Coordenadorias Regionais de Saúde (CRES) participam, em duas turmas, da oficina de capacitação para utilização do LIRAa que o Núcleo de Controle de Vetores da Sesa. A oficina acontece na Sala de Informática da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE), em Fortaleza, das 8h30 às 17 horas.
O incentivo do Ministério da Saúde é de R$ 5,1 milhões, destinados a 51 municípios cearenses. O valor correspondente a 20% do Piso Fixo de Vigilância e Promoção da Saúde que os municípios já recebem. Para receber o incentivo, os municípios tiveram que elaborar, aprovar e enviar ao Ministério da Saúde o plano de contingência com o detalhamento das ações a serem desenvolvidas. No plano de contingência o município garante a manutenção de número adequado de agentes de controle de endemias, realização de 80% das visitas domiciliares em pelo menos quatro ciclos bimestrais de trabalho e de pelo menos três Levantamentos Rápidos de Infestação por Aedes aegypti, em janeiro, março e outubro.
Para a utilização do LIRAa, 38 dos 51 municípios que receberam o incentivo já estão capacitados. Para outros 13 municípios, a utilização do LIRAa não se aplica por não contarem o mínimo de 8,1 mil imóveis para garantir a segurança do levantamento.
O LIRAa identifica os criadouros predominantes e a situação de infestação do município e permite o direcionamento das ações de controle para as áreas mais críticas.
Os municípios participantes da oficina além de Acaraú, Camocim, Itapipoca, Tianguá e Massapê são Aracati, Barbalha, Baturité, Brejo Santo, Canindé, Crateús, Guaiúba, Icó, Iguatu, Limoeiro do Norte, Maranguape, Mauriti, Morada Nova, Novo Oriente, Pacatuba, Parambu, Quixadá, Quixeramobim, Russas, Tauá e Tejuçuoca.
O incentivo financeiro faz parte das ações estratégicas do Ministério da Saúde para o enfrentamento da dengue no início de 2012 e deverá contemplar pelo menos 989 municípios de todo o País, abrangendo uma população de mais de 100 milhões de habitantes e envolvendo um total de R$ 90 milhões.
No Ceará, a população dos 51 municípios que receberão o incentivo soma 5.688.362 habitantes, 67,3% da população do Estado. Na seleção dos municípios, o Ministério da Saúde incluiu as capitais de estados, regiões metropolitanas de capitais com registros de casos autóctones de dengue, municípios com áreas endêmicas de dengue com população igual ou superior a 50 mil habitantes e municípios com população inferior a 50 mil habitantes com notificação acima de 300 casos por 100 mil habitantes em pelo menos um ano no período de 2007 a 2011. (Com informações da Assessoria de Imprensa da Sesa)
16:49 · 06.12.2011 / atualizado às 18:10 · 06.12.2011 por

Secretário Carlos Hilton e sua equipe de Saúde no combate à dengue em Sobral

Sobral zerou a infestação de dengue. O secretário de Saúde e Ação Social da cidade, Carlos Hilton, nesta entrevista explica como isso foi alcançado:

Diário Zona Norte – Qual a estratégia para zerar a infestação da dengue em Sobral?

Carlos Hilton – A alternativa para controlar a dengue em qualquer município ela não tem sucesso se não for dividida com a sociedade. 2007, por exemplo, nós tivemos uma grande epidemia de dengue aqui em Sobral. 2.190 casos de dengue, oito óbitos e muitos recursos gastos de uma forma angustiante. Porque, quando se instala uma epidemia você instala uma crise. E quando você instala uma crise, você não pode pensar. Você que tem reagir. Você reage de acordo com as intuições, com os reflexos. Então em 2007 nós tivemos uma epidemia de dengue gravíssima aqui em Sobral. As emergências dos hospitais ficaram congestionadas. A população aflita. Enfim. Então a partir de 2008 nós iniciamos um processo de corresponsabilização social. Logicamente, as políticas públicas de Saúde têm que atuar. Nós temos aqui em Sobral uma gestão integrada para o controle da dengue. Essa gestão integrada ela une as forças setoriais entre as pastas públicas, buscando uma convergência das ações em que você tenha pauta permanente das políticas para uma pauta de controle da dengue. Então enquanto Políticas Públicas do Poder Público Municipal nós temos essa gestão integrada. Agora o mais forte é a questão da corresponsabilização social. Então nós fizemos um trabalho forte, um trabalho intenso, um trabalho corpo a corpo, aquele trabalho em que nós entramos nas lojas, conversamos corpo a corpo com as pessoas, mostrando a importância de cada cidadão no combate à dengue. Isso fazendo com que as pessoas tivessem uma consciência da responsabilidade de cada um nesse processo. Uma epidemia de dengue é residencial. Ou seja, ela está nas casas das pessoas. Então a casa é um ambiente que tem uma particularidade séria. Para que você possa entrar na casa, você tem que ter permissão. Existe todo um detalhe. Então é importante que as pessoas cuidem das suas casas. A gente mostrou. Conscientizou a população de que o cidadão tinha que ter uma obrigação diária de inspecionar sua residência. Nessa inspeção verificando diariamente se por um desleixo, por uma falta de cuidado, o cidadão tivesse deixado surgir um foco do mosquito da dengue. Ou seja, os tanques, os potes, as caixas d’água, qualquer recipiente que estivesse em casa inadvertidamente acumulando água e que estivesse aberto a disposição do mosquito poderia ser instalado um foco do mosquito. Então começamos a ter essa divisão de responsabilidade.

Diário Zona Norte – Como isso se deu?

Carlos Hilton – Saímos de uma forma rápida de um índice de infestação de mais de dois, porque um índice de infestação é o número de casas, onde a cada cem casas visitadas que tem o foco do mosquito. Tem que mosquito na casa. Então nós saímos de mais de dois, quando um já é complicado, já pode gerar epidemia; para zero. Zero. Estamos desde 2008 com índice de infestação zero aqui em Sobral. Isso é uma conquista.

Diário Zona Norte – O que isso representa na prática?

Carlos Hilton – A gente garante com este fato a inexistência de epidemia, porque a epidemia tem que ter um tripé formado. Para que você tenha uma epidemia de dengue você tem ter um tripé. O primeiro pé é o vírus circulando. Esse vírus só vai circular se tiver mosquito. O segundo pé é mosquito. E a outra perna do tripé são as pessoas, pois a dengue só se manifesta em seres humanos. Então se você retirar uma dessas pernas, você acaba com a epidemia de dengue. Logicamente nós não vamos retirar os seres humanos. Então nós optamos em dividir a responsabilização da sociedade para que nós eliminássemos o mosquito do Meio Ambiente.

Diário Zona Norte – O que é este mosquito?

Carlos Hilton – O mosquito que tem todo um comportamento reconhecido. Não tem surpresa em torno do ciclo biológico do mosquito. Ele é um mosquito hoje que desde a época dos faraós. Por isso que o nome do mosquito é Aedes Aegypti, quer dizer: indesejado no Egito. Desde a época dos faraós até hoje ele atualmente se encontra concluído no seu processo de urbanização. Ou seja, o mosquito hoje é um mosquito cosmopolita, ele só vive nas cidades. Ele quer a residência. Ele quer alcança a residência porque na residência ele tem uma tranquilidade da sua proliferação garantida. E a residência escolhe se quer ou não ter  mosquito.

Diário Zona Norte – Os sobralenses, então, compreenderam isso?

Carlos Hilton – As pessoas tiveram essa responsabilização assumida. Nos sentimos com o passar do tempo esse retorno social. E a sociedade teve o retorno que foi a ausência de epidemia. Nós estamos desde 2008, friso, sem epidemia de dengue. Porque nós estamos com o índice de infestação zero. E a sociedade sabe que esta conquista é nossa. O mérito não é do Poder Público. O mérito é da cidade. E se voltar a epidemia também a culpa vai ser de toda a cidade. Não é um secretário. Não é um prefeito que terá o poder de evitar uma epidemia de dengue. De maneira alguma. Pois quando se trata de doenças transmitidas por vetores nós temos que controlar o ambiente para que o mosquito não esteja distribuindo o vírus ou o protozoário entre os seres humanos. Então nós conseguimos eliminar a presença do mosquito desde 2008. O mérito é da nossa sociedade.

Diário Zona Norte – No caso de manter este índice zero de infestação, a epidemia está descartada?

Carlos Hilton – Se nós mantivermos este índice nós não vamos mais ter epidemia de dengue. Ou seja, cada município tem a sua realidade escolhida. Para você vê em 2011 nós tivemos uma grande epidemia de dengue no Estado do Ceará. Sobral ficou cercado de epidemias de dengue. Nós tivemos epidemia de dengue em Massapê, que fica a vinte quilômetros de Sobral. Talvez os pessimistas tivessem previsto para este ano em Sobral uma epidemia de dengue, porque o Ceará todo estava em epidemia praticamente. Mais de oitenta por cento dos municípios cearenses vivendo epidemia. Aqui, Sobral cercado de epidemia. Meruoca, Alcântaras, Massapê, Forquilha, Reriutaba, Coreaú…Então, talvez as opiniões pessimistas estivessem prevendo: Sobral vai ter uma epidemia de dengue. E ai nós provamos para nós mesmos a força que é esse empenho social.

Diário Zona Norte – Continua a infestação zero?

Carlos Hilton – Sim. Continuamos com o índice de zero. Tivemos agora um levantamento rápido do índice de infestação. Continuamos com zero. Isso é maravilhoso para nós, é gratificante. Por quê? Porque nós livramos a sociedade da doença, quando no Ceará está circulando os quatro tipos de vírus. Então nós estamos vulnerabilíssimos a uma epidemia. A dengue é uma doença grave. Que mata. Por isso estamos felizes por estarmos com esse referencial de índice zero.

Diário Zona Norte – E com a chegada do inverno?

Carlos Hilton – Estamos na eminência de um período chuvoso. A população sabe o que tem que fazer. Uma política extremamente barata, econômica, porque o que é você gasta? É o processo de mobilização. Você gasta a sua voz. A palavra, que é muito forte.

Diário Zona Norte – Este índice zero é sustentável?

Carlos Hilton – Estamos com esse índice sustentável de zero, mas não garantido. Porque a dengue é uma guerra. Que não tem trégua. Não existe trégua na guerra contra dengue. Nós estamos ai informados de testes de vacinas, que possam ser colocados à disposição.

Diário Zona Norte – O que o senhor acha dessa vacina?

Carlos Hilton – Eu particularmente sou muito cauteloso com a vacina. Eu acho que nós não tivemos nos confiar nessa previsibilidade. Temos que continuar o nosso trabalho social e evitar a presença do mosquito no nosso meio urbano. Evitando garantimos ai a continuidade de um município livre de epidemia de dengue.

Diário Zona Norte – Há uma nova geração que não tinha pego dengue; e que agora pegou?

Carlos Hilton – A dengue é transmitida por um vírus. Um vírus que ele tem quatro variações. O mesmo vírus com o passar do tempo tem mutações impressionantes. Tem mutações mesmo que a Ciência avisa que você pode ter subtipos das variações. Isso assusta. Então o vírus é um só com vários sorotipos diferentes. Ou seja, variações do mesmo vírus. Então você tem hoje tipo um, tipo dois, tipo três, tipo quatro, que são conhecidos. A epidemia de dengue no Ceará tem uma predominância do tipo dois. O tipo um há muito tempo não tinha epidemia de dengue. E este ano de 2011 circulou novamente. Então você tem hoje os quatro sorotipos diferentes circulando no Estado do Ceará e no Brasil. Porque o tipo quatro praticamente todos nós estamos vulneráveis. Não tem uma fração satisfatória da população brasileira que esteja imune. Dificilmente você encontra no Brasil uma pessoa imune ao tipo quatro. Então todos nós podemos pegar o tipo quatro. E o tipo um que não circulava há dezesseis anos, pois a última epidemia do tipo um foi em 1994. O que é que significa isso? Que a população que nasceu depois de 1994 toda ela está vulnerável a transmissibilidade da doença tipo um. E ai as crianças, principalmente.

Diário Zona Norte – A dengue é uma doença muita séria?

Carlos Hilton – A dengue é séria. É uma doença grave em qualquer cidadão. Mas em criança fica mais grave ainda, porque é importante que haja um diálogo entre que está cuidando da dengue e quem está doente; para acompanhar os sinais, os sintomas, as informações sobre hidratação. Então isso é fundamental. E a criança não tem essa possibilidade de diálogo. Então você tem uma gravidade preestabelecida na criança.

Diário Zona Norte – Conta então a prevenção?

Carlos Hilton – Temos que trabalhar muito forte a prevenção da doença, porque o tipo quatro, por exemplo. Nós temos uma memória imunológica. Eu posso ter pego dengue de uma a três vezes antes do tipo quatro está circulando. E essa memória imunológica com a nova contaminação ela amplifica a nossa reação para com a doença. E nessa amplificação é que podem surgir as complicações como choque hemorrágico. Enfim, as febres hemorrágicas e até o óbito, pois a dengue é uma doença comprovadamente pode ser fatal.

Diário Zona Norte – A dengue deve ser cuidada em casa?

Carlos Hilton – Com essa fatalidade toda que é comunicada, a gente defende a tese que o melhor lugar para cuidar da dengue é em casa. Com os primeiros sinais ou sintomas da doença a população deve procurar a unidade básica de saúde, fazer naquele momento, pois o sistema de saúde já está qualificado, para fazer os testes imediatos para se detectar ou não o sinal grave da doença. E ai optar por uma complexidade maior na assistência ou se o cidadão pode cuidar em casa. Porque a dengue tem o fluxo dela. Ela vai evoluir.

Diário Zona Norte – Quais as particularidades da dengue?

Carlos Hilton – Várias particularidades da dengue nos assusta. Porque você pode ter tido uma contaminação por algum sorotipo e não ter tido os sintomas. Ela pode ter se manifestado oligosintomaticamente. E você ter uma memória imunológica para aquele determinado vírus e se você pega um outro, para sua surpresa você pode ter a forma grave da doença. Isso detalhes da patologia em si, nós temos que procurar informar para população também. A população tem que saber porque é que a pessoa morre de dengue, o que é a dengue?, o que é que caracteriza a reação do organismo perante a presença do vírus nos seu organismo? A população tem que ter essa informação. O processo de hidratação que é fundamental no tratamento. Tem que ter a colaboração do paciente. Existem estas vertentes na dengue. Você tem que prevenir, ou seja tem que evitar que a doença se instale. Você tem que cuidar bem de uma vez que a doença se instala na cidade. E você tem que diminuir o máximo que possível o número de óbitos na cidade que está acontecendo, porque ai tem ter uma retaguarda hospitalar.

Diário Zona Norte – Sobral tem esta retaguarda?

Carlos Hilton – Nessa retaguarda hospitalar nós temos que detalhar. Temos que fazer um comunicado a avisar a população. Imagine então que em 2007 nós tivemos uma epidemia. Várias pessoas nessa epidemia precisaram ser assistidas em um hospital. No caso aqui, a Santa Casa de Sobral. Naquela época nós reservamos na Santa Casa um espaço só para cuidar de dengue. Vinte leitos só para dengue. E casos graves chegaram. 2007 para cá, 2011, passaram-se quatro anos. Aquele espaço que eu tinha em 2007 na Santa Casa eu não posso mais ter. Porque em quatro anos a epidemia da violência do trânsito, por exemplo, superlotou o hospital. Com isso se nós tivermos uma epidemia de dengue agora não temos mais aquele facilidade de encaminhar os pacientes graves. Essa questão em matéria de gestão de saúde pública assusta muito. Assusta muito, porque casos graves de dengue têm que ser cuidados em hospital. E os hospitais de hoje aqui em Sobral não têm mais aqueles espaços que tinham em 2007. Porque a motocicleta, por exemplo, está tornando sombrio o prognóstico de sustentabilidade de qualquer sistema de saúde, porque são muitas pessoas acidentadas em motocicletas que entram diariamente na nossa emergência. Existe uma concorrência muito grave. E tem aquela questão mesmo do detalhe em si. Se chega um cidadão grave com dengue em um hospital, o cidadão pode estar chegando grave conversando com o médico, com o enfermeiro, sem manifestar nenhum sinal de violência, sem nenhum aparente sinal de alerta. E se naquele momento que chega um paciente grave com dengue; chega um politraumatizado existe um reflexo condicionado da equipe médica se atentar mais para aquele politraumatizado, porque ele pode está com a fratura exposta. E ai a equipe vai cuidar do politraumatizado e quando vai voltar as atenções para o paciente que chegou conversando com dengue ele já está grave. E ai uma vez instalada a fase grave da dengue algumas horas podem ser necessárias para que o paciente morra.

Diário Zona Norte – Qual a saída então?

Carlos Hilton – Essas questões são particularidades que nós temos que em uma linguagem acessível comunicar a população. A população tem que saber todas as vertentes da doença dengue. Tem primeiro que se responsabilizar pela prevenção. Depois ela tem que entender o que é que pode acontecer com ela, quando ela esteja contaminada pelo vírus. E é aquela mensagem: uma pessoa que tem esse comportamento está se protegendo, está protegendo a sua família e está protegendo a cidade. Porque para nós se tem um caso, se tem uma epidemia de dengue lá na Região Sudeste do País, como o Rio de Janeiro, a gente pode estar afetado; imagine se você tem um surto de dengue em bairro da cidade. Essa proximidade é impressionante. E aqui a gente está fazendo um trabalho. Agora nada está garantido. Nada está garantido.

Diário Zona Norte – Sobral teve casos de dengue este ano?

Carlos Hilton – Tivemos alguns casos de dengue este ano aqui em Sobral, mas 60 a 70% dos casos são considerados importados. O cidadão viajou foi picado pelo mosquito em outra cidade e voltou doente. Temos fluxo de pacientes sistemáticos para cidades que viveram grande epidemia de dengue como Itapipoca, a própria Fortaleza. Massapê. Massapê vem gente de Massapê todo dia cá de uma forma progressiva.

Diário Zona Norte – Qual o contexto da dengue?

Carlos Hilton – A dengue tem um contexto social fundamental e tem que ser considerado que a única alternativa para se evitar a epidemia de dengue e você tratar as pessoas que adoeçam sem risco de óbito é você controlar a presença do mosquito na cidade. Porque se você não tiver mosquito, logicamente, matematicamente, você não vai ter a circulação do vírus. Porque você só pega dengue se tiver o mosquito que traga a doença através da picada para o seu organismo. Ai a gente evitando a presença do mosquito, logicamente como resultado dos fatos você não vai ter a circulação de vírus. Não tendo circulação de vírus; não tem epidemia.

Diário Zona Norte – O que dengue com complicação?

Carlos Hilton – A dengue é uma doença que já caracteriza episódios  hemorrágicos no organismo. Repetindo: o melhor caminho para cuidar da dengue é em casa. Isso, palavras minhas. O cidadão se hidratando, sendo monitorado nos seus sintomas, fazendo os testes competentes para se detectar precocemente os sinais de gravidade ou não. A dengue, uma vez você com o vírus você pode manifestar sinais de uma patologia suave, até sem sintomas; mas também você pode manifestar a clássica. A simatologia clássica, que é aquela doença que se caracteriza dores pelo corpo, febre; enfim uma caracterização típica da doença. E ai se você tem  não o monitoramento, a terapia corretamente conduzida, você pode ter uma dengue com complicações. E essa dengue com complicações, que são complicações que agravam o quadro clínico do paciente, essas complicações podem gerar febre hemorrágica da dengue. E essa febre hemorrágica pode gerar um choque, ou seja, se você tem uma hemorragia no seu organismo, essa hemorragia faz com que o fluxo de sangue, de líquidos que extravasam do seus vasos, pode caracterizar um choque nesse paciente. O sangue perde a velocidade de circulação e ai o paciente entra em choque. E ai esse choque pode levar ao óbito.

Diário Zona Norte – Tem médicos suficientes para cuidar de dengue grave?

Carlos Hilton – Uma dengue com complicações e dengue grave é ruim, e isso tem que ser passada essa informação para população, porque nós não temos pessoal suficientemente disponível para todo território brasileiro para cuidar de dengue grave. Precisa de uma qualificação. Precisa de um treinamento. Precisa ter realmente uma certa experiência para você ter um quadro de profissionais que saiba cuidar de dengue grave, de dengue que tem aquela complicação, a febre hemorrágica de dengue. Isso exige realmente uma retaguarda especializada. Nós não temos no território brasileiro proporcionalmente as pessoas em quantidade suficiente para atender os casos graves. Aquela epidemia que nós tivemos no Rio de Janeiro, a última epidemia, foi preciso haver uma mobilização nacional de ida de profissionais para o Rio de Janeiro para poder reforçar o que existia de quadro disponível para poder atender os casos graves que apareceram lá. É uma insuficiência  que nós temos também, porque a dengue é uma doença que desafia o avanço da Medicina, da Ciência. Ela desafia.

Diário Zona Norte – Qual o remédio?

Carlos Hilton – Com toda história da dengue, que é um doença milenar até, com avanço de toda Ciência nós temos ainda pessoas que morrem por dengue. Ou seja é uma doença que já tem uma história epidemiológica antiga. E a vacina? A dificuldade da disponibilização da vacina. Os fatores próprios da doença. Nós estamos avisados de que em pouco tempo nós teremos a disposição das vacinas. O Ceará, por exemplo, é um dos estados que estão mais avançando nas pesquisas através da Universidade Estadual do Ceará. Isso para nós é maravilhoso que a gente tenha realmente a vacina. E isso vai significar que obstáculos próprios para que a vacina contra a dengue pudesse ter descoberta, disponibilizada, estão sendo ultrapassados. Essa questão dos quatro sorotipos diferentes, questão de dificuldades de você ter cobaias. Então graças a Deus a Ciência está sinalizando que está ultrapassando estes problemas, essas particularidades que se constituem como obstáculos e já está oficialmente divulgado que em pouco tempo nós teremos essa vacina a disposição da população. Isso será realmente um sonho. Um sonho que se refere a nós erradicarmos a dengue no território brasileiro. Porque se não surgir essa vacina, a erradicação da dengue no Brasil ela vai demorar muito. Demorar muito mesmo. Não sei quantas gerações vão sofrer com a doença sem essa vacina estar disponível.

Diário Zona Norte – A dengue ainda é sazonal?

Carlos Hilton – A dengue é uma doença que nos assusta bastante, porque não tem mais a sazonalidade. O que é a sazonalidade? É um período que uma doença incide de uma forma mais destacada. A dengue no começo na reemergência da doença no Brasil, você associava a dengue ao primeiro semestre nos municípios que tenham chuvas incidentes no primeiro semestre. Ou seja, você associava a dengue aos períodos chuvosos. Hoje, não. Hoje a dengue incide de janeiro a dezembro. Não tem mais um intervalo. Não dá mais uma pausa. Isso é grave porque mostra, indiscutivelmente que o mosquito da dengue está urbanizado. Está nas cidades. E para retirar este mosquito das cidades nós temos muitas dificuldades, porque exige o comportamento social. Tem que ter o retorno social. Então nós temos aqui cidades que estão crescendo desordenadamente. Você tem a super população do descartável. Que é uma questão grave da dengue hoje, pois favorece muita a instalação de epidemia de dengue. A questão dos descartáveis é fundamental. De como a população descarta o descartável? Um copinho descartável, uma lata de refrigerante ou de cerveja que fique depositada aleatoriamente ao Meio Ambiente se constitui realmente vamos usar aqui um termo, numa verdadeira bomba. Porque daquele foco ali você pode exportar mosquitos que contaminem um quarteirão e um bairro. E ai a propagação do mosquito na sua multiplicação eleva esse quadro de incidência de infestação rapidamente. Hoje você tem cenários que são extremamente complicados. Ou seja, de uma casca de ovo a uma caixa d’água você tem focos do mosquito.

Diário Zona Norte – O que foi feito em Sobral além da conscientização ao sucesso da infestação zero?

Carlos Hilton – Outro fator que levou Sobral a esse sucesso foi o vedamento universal das caixas d’água. Todas teladas. O Município investiu com recursos próprios para que tivéssemos todas as caixas d’água em Sobral vedadas. Tivemos algumas dificuldades no começo, porque nós colocávamos as telas  alguns cidadãos, se não fosse trágico, seria irônico, tiraram a tela para pescar. Isso era extremamente grave. Hoje não. A população se preocupa com a manutenção da qualidade da tela.

Diário Zona Norte – Qual o papel dos agentes de endemias?

Carlos Hilton – Nós temos um batalhão que a gente valoriza e agradece sempre o empenho deles, que são os nossos agentes de combate as endemias. Eles fazem um trabalho, realmente, impressionante, dia a dia. Vedam caixas d’água e tudo o mais.

Diário Zona Norte – Há outras parcerias para combater a dengue em Sobral?

Carlos Hilton – Temos uma parceria fundamental com o Ministério Público. Ou seja, um imóvel fechado hoje não se constitui mais em barreira para que a gente possa inspecionar. Se o imóvel estiver fechado para o bem da população a gente abre e se for preciso arrombar um cadeado a gente arromba. Depois a gente fecha. Não deixa aberto o imóvel de propriedade particular. Mas uma vez identificado o proprietário do imóvel se o Município fez isso, o dono do imóvel depois vai ter que pagar. A conta do cadeado vai depois para ele. Na prática se você tem um imóvel fechado e tem dificuldade de entrar naquele imóvel. Antes era uma barreira. Só com medida judicial você poderia entrar. Hoje, não. Hoje para o bem da população a gente abre o imóvel. Não caracterizando uma invasão, mas sim um procedimento obrigatório. Nós fazemos a inspeção. Depois nós fechamos o imóvel adequadamente e o custo que teve isso entre abrir forçadamente um cadeado e repor um cadeado novo, o custo vai para o proprietário repor ao Poder Público. Isso foi uma força muito grande que fez com que nós tivéssemos definitivamente alcançado esse índice de infestação zero em Sobral.

Diário Zona Norte – Há uma armadilha que ajuda nesse combate?

Carlos Hilton – Nós temos aqui em Sobral de uma forma bem destacada um serviço de antomologia muito bom. Nós estudamos o mosquito. E nós temos distribuídas pelo Município tanto na Zona Urbana, quanto na Zona Rural, armadilhas que são confeccionadas pelo próprio serviço de antomologia para atrair as fêmeas do mosquito. Porque o mosquito inevitavelmente você vai ter uma certa quota de mosquito no Ambiente. Agora nós temos que examinar as fêmeas. Saber se elas estão positivas. Porque também tem o mosquito que não tem o vírus e tem o mosquito que tem o vírus. O mosquito é um ciclo. O mosquito que não tem o vírus picando uma pessoa com vírus ela passa pelo mesmo processo de virulência que o cidadão. Ou seja, o mosquito vai ser contaminado pelo vírus, enfim. Ai esse ciclo vai ocorrendo. Uma troca de instalação do vírus entre mosquito e ser humano. Então é importante que a gente tenha de uma forma sistemática, permanente, um sistema em que a gente detecte a presença do mosquito e além de detectar faça estudo do mosquito. E ai a gente distribui essas armadilhas pelo Município. Essas armadilhas de uma forma simples elas recriam um ambiente que atrai o mosquito. Um ambiente escuro, que tem as paredes aderentes e que realmente as fêmeas possam depositar os seus ovos. E ai aquela mostra depois é recolhida e devidamente analisada em fase laboratorial para a gente saber se o mosquito está presente positivamente ou não. Então essas armadilhas estão sendo, realmente, uma grande estratégia. Não é descoberta nossa. Isso ai tem. Existe já uma padronização nacional. Tem até armadilhas pré-fabricadas que são disponíveis a venda. Mas aqui a gente tem uma receita própria. A gente procura fazer estas armadilhas de forma artesanal, mas eficiente. E graças a Deus é mais um item que compõe essa nossa estratégia que está resultando ai na ausência de epidemia de dengue há quatro anos em Sobral. Existe um mapeamento onde é bem servido tantos os bairros como os distritos desses equipamentos de captura do mosquito.

16:17 · 09.11.2011 / atualizado às 16:28 · 09.11.2011 por

A Secretaria da Saúde do Estado, que lança depois de amanhã, em Fortaleza, o Plano de Combate à Dengue para 2012, com o envolvimento de 51 cidades cearenses, sendo sete da Zona Norte (Mucambo, Sobral, Itapipoca, Massapê, Tianguá, Camocim e Acaraú), foi hoje a única das nove instituições finalistas do Prêmio Ceará de Cidadani@ Eletrônica 2011 a conquistar dois primeiros lugares.

A Sala de Situação da Dengue no Ceará foi considerado o melhor projeto na categoria Software Livre e o projeto Tecnologia da Informação em Instituição de Saúde Mental, do Hospital de Saúde Mental de Messejana, conquistou a primeira colocação na categoria Inclusão Digital.

A premiação aconteceu na manhã de hoje, no auditório da Secretaria do Planejamento e Gestão. O objetivo da premiação é divulgar e reconhecer a qualidade dos projetos públicos e ainda os benefícios da aplicação da Tecnologia da Informação na administração pública.

Ao agradecer a premiação, o secretário da Saúde, Arruda Bastos ressaltou a determinação do Governo do Estado em concretizar avanços na informatização do serviço público, lembrando a inauguração do Cinturão Digital do Ceará (CDC), no dia três deste mês, com a transmissão on line, pela rede pública de banda larga, de exame realizado no Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte.

Sobre os projetos premiados, Arruda Bastos disse que a Sala de Situação da Dengue surgiu no auge da epidemia da doença este ano no Ceará como ferramenta de monitoramento da situação nos municípios, como número de casos, índices de infestação pelo mosquito transmissor e óbitos. O secretário saudou o projeto do Hospital de Saúde Mental de Messejana como mais uma estratégia na luta para vencer a dependência das drogas entre jovens.

A Sala de Situação da Dengue foi implantada pela Sesa, com apoio da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e do Ministério da Saúde. Compondo o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Estado do Ceará (CIEVS-CE), a Sala foi instituída pela Portaria  2.824, de 9 de agosto de 2011, ligado ao Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Coprom. A página da Sala de Situação da Dengue é acessada a partir do banner que fica ao lado direito na homepage da Sesa (www.saude.ce.gov.br). Nela, gestores, profissionais de saúde, da imprensa, usuários dos serviços de saúde, professores e estudantes têm acesso ao mapa da dengue em cada um dos 184 municípios cearenses. Com a ajuda de mapas, gráficos e tabelas, visualizam os números de casos notificados, confirmados e de óbitos numa série histórica. A maioria dos dados é atualizada diariamente, o que representa diferencial em relação às outras salas de situação do país.
O programa Tecnologia da Informação em Instituição de Saúde Mental lança mão do Projeto e-Jovem, da Secretaria da Educação do Ceará, como recurso terapêutico para recuperação de jovens dependentes químicos em tratamento no hospital-dia Elo de Vida do HSMM. Os 25 jovens da primeira turma do programa receberam certificação no sábado, 5 de novembro. Atualmente, mais duas turmas de 20 jovens participam do programa. No Elo de Vida, jovens dependentes químicos realizam tratamento durante quatro meses. Ao ingressar no programa de inclusão digital deixam de ser pacientes e se juntam a estudantes da própria comunidade. Ainda assim, permanecem por mais um ano e meio em acompanhamento do Hospital de Saúde Mental de Messejana. Dos 25 jovens da primeira turma, nove já estão empregados em empresas e os demais realizam trabalhos de informática por conta própria. Nenhum deles voltou às drogas.

A sexta edição do Prêmio Ceará de Cidadani@ Eletrônica recebeu inscrições de 52 projetos, sendo 44 selecionados para participar da 2ª fase do prêmio nas categorias: TI Verde (sete projetos), Inclusão Digital (7 projetos), Inovação (11 projetos), Software Livre (12 projetos) e Governança de TI (9 projetos). Entre esses, a Comissão Julgadora do Prêmio selecionou três projetos finalistas por categoria. A Universidade Estadual do Ceará (Uece) conquistou primeiro lugar na categoria TI Verde, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) na categoria Inovação e, na categoria Governança de TI, o primeiro lugar ficou com a Cagece.

(Com informações da Assessoria de Imprensa da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará).

16:10 · 09.11.2011 / atualizado às 16:27 · 09.11.2011 por

Na próxima sexta-feira (11), às nove da manhã, a Secretaria da Saúde do Estado e o Conselho de Secretários Municipais de Saúde reúnem secretários de saúde de 51 municípios cearenses (dentre eles sete da Zona Norte: Sobral, Mucambo, Tianguá, Massapê, Camocim, Itapipoca e Acaraú). O encontro será no auditório Waldir Arcoverde (Avenida Almirante Barroso, 600, Praia de Iracema, em Fortaleza).

O objetivo é a elaboração de planos de contingência contra a dengue antes do período das chuvas de 2012, incluindo ações de controle do mosquito Aedes aegypti, mobilização social, vigilância epidemiológica e assistência aos pacientes.

Os 51 municípios foram definidos a partir do tamanho da população, localização em áreas endêmicas de dengue, com notificação acima de 300 casos da doença por 100 mil habitantes em pelos menos um dos anos no período de 2007 a 2011.

Juntos, os 51 municípios receberão R$ 5,1 milhão do Ministério da Saúde para intensificar as medidas de prevenção e controle da dengue. Esses recursos serão liberados somente a partir da apresentação dos planos de contingência. O prazo final para os planos serem encaminhados ao Ministério da Saúde é dia 25 deste mês.
Para assegurar o recebimento dos recursos e deixar o Ceará mais prevenido contra a dengue no próximo ano, e seguindo recomendação do Ministério da Saúde, a Sesa orienta os secretários municipais de saúde na reunião desta sexta-feira sobre a elaboração dos planos de contingências. Além de ficarem sabendo o passo a passo para o recbebimento do incentivo financeiro, todos os 51 gestores municipais de saúde, conforme decisão do Ministério da Saúde,assinarão um termo de compromisso, assumindo que desenvolverá as ações destacadas nos planos.
A Portaria que institui o incentivo financeiro, correspondente a 20% do Piso Fixo de Vigilância e Promoção da Saúde que os municípios já recebem, foi pactuada na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e deverá ser publicada no Diário Oficial da União (DOU) até a última semana de outubro. A partir da publicação da Portaria, os municípios terão 45 dias para encaminhar ao Ministério da Saúde cópias da Resolução da CIB, com pactuação e homologação, e do plano de contingência.
No plano de contingência a ser encaminhado ao Ministério da Saúde, os municípios devem garantir a manutenção de número adequado de agentes de controle de endemias, de acordo com o parâmetro de um agente para cada mil imóveis nas atividades de visitas domiciliares, realização de 80% das visitas domiciliares em pelo menos quatro ciclos bimestrais de trabalho e de pelo menos três Levantamentos Rápidos de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), em janeiro, março e outubro. O gestor local, na vigilância e assistência, ainda, deve notificar os casos suspeitos de dengue grave e os óbitos, além de ter uma rede de atenção primária com capacidade para atender casos na sua área de abrangência.

No Ceará, a Secretaria da Saúde do Estado e o COSEMS acordaram a realização de reunião extraordinária da CIB no próximo dia 18 de novembro para apreciação dos planos de contingência elaborados pelos municípios.

(Com informações da Assessoria de Imprensa da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará)

Municípios prioritários com menos de 49.999 habitantes

MUNICÍPIO POPULAÇÃO 2010 PFVPS ANUAL (R$) 20% (R$)
Acarape 15.338 55.924,20 11.184,84
Arneiroz 7.650 20.361,93 4.072,39
Barro 21.514 58.632,33 11.726,47
Baturité 33.321 97.816,74 19.563,35
Brejo Santo 45.193 129.813,86 25.962,77
Caridade 20.020 52.313,76 10.462,75
Eusébio 46.033 156.420,24 31.284,05
Guaiúba 24.091 96.229,00 19.245,80
Ibaretama 12.922 35.920,32 7.184,06
Independência 25.573 71.582,25 14.316,45
Itaitinga 35.817 130.825,83 26.165,17
Itatira 18.894 51.339,99 10.268,00
Jucás 23.807 64.567,35 12.913,47
Massapê 35.191 96.255,36 19.251,07
Mauriti 44.240 120.253,92 24.050,78
Mucambo 14.102 39.540,63 7.908,13
Novo Oriente 27.453 78.072,15 15.614,43
Orós 21.389 59.252,49 11.850,50
Palmácia 12.005 29.479,35 5.895,87
Parambu 31.309 87.668,31 17.533,66
Porteiras 15.061 40.957,77 8.191,55
Quiterianópolis 19.921 57.745,59 11.549,12
Tejuçuoca 16.827 44.009,61 8.801,92
Subtotal 567.671,00 1.674.982,98 334.996,60

Municípios prioritários acima de 50.000 a 99.999 habitantes

MUNICÍPIO POPULAÇÃO 2010 PFVPS ANUAL (R$) 20% (R$)
Acaraú 57.551 158.964,90 31.792,98
Aquiraz 72.628 297.738,00 59.547,60
Aracati 69.159 240.564,17 48.112,83
Barbalha 55.323 172.452,20 34.490,44
Camocim 60.158 180.428,15 36.085,63
Canindé 74.473 231.189,84 46.237,97
Cascavel 66.142 199.111,08 39.822,22
Crateús 72.812 254.923,09 50.984,62
Horizonte 55.187 184.287,18 36.857,44
Icó 65.456 195.523,76 39.104,75
Iguatu 96.495 286.748,85 57.349,77
Limoeiro do Norte 56.264 169.976,94 33.995,39
Morada Nova 62.065 204.301,11 40.860,22
Pacajus 61.838 212.013,42 42.402,68
Pacatuba 72.299 278.869,81 55.773,96
Quixadá 80.604 251.799,11 50.359,82
Quixeramobim 71.887 199.966,24 39.993,25
Russas 69.833 201.841,20 40.368,24
Tauá 55.716 161.453,16 32.290,63
Tianguá 68.892 210.140,30 42.028,06
Subtotal 1.344.782 4.292.292,51 858.458,50

Municípios prioritários acima de 100.000 a 299.999 habitantes

MUNICÍPIO POPULAÇÃO 2010 PFVPS ANUAL (R$) 20% (R$)
Crato 121.428 498.582,01 99.716,40
Itapipoca 116.065 337.600,95 67.520,19
Juazeiro do Norte 249.939 1.012.126,54 202.425,31
Maracanaú 209.057 910.657,17 182.131,43
Maranguape 113.561 466.538,78 93.307,76
Sobral 188.233 799.673,91 159.934,78
Subtotal 998.283 4.025.179,36 805.035,87

Município prioritário acima de 300.000 a 499.999 habitantes

MUNICÍPIO POPULAÇÃO 2010 PFVPS ANUAL (R$) 20% (R$)
Caucaia 325.441 1.469.481,91 293.896,38

Município prioritário acima de 1 milhão de habitantes

MUNICÍPIO POPULAÇÃO 2010 PFVPS ANUAL (R$) 20% (R$)
Fortaleza 2.452.185 14.498.980,10 2.899.796,02