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Criança morre em Chaval por suposto erro médico

07:15 · 10.12.2011 / atualizado às 09:22 · 12.12.2011 por

A família de Kailane Carvalho da Rocha, de oito anos, acusa o médico André Lúcio de ter errado na medicação, que teria acabado provocando a morte da criança, em Chaval, que fica na divisa entre Ceará e Piauí, a 408 quilômetros de Fortaleza.
Kailane Rocha foi levada, no último primeiro de dezembro para o Hospital Municipal Elisete Cardoso Passos Pacheco, de Chaval, com cortes na cabeça e na coxa direita provocados por uma queda dentro do banheiro de sua casa. Ao chegar na unidade hospitalar, a criança foi atendida pelo médico André Lúcio, que teria aplicado doses de lidocaína (anestésico). Segundo familiares as injeções acabaram causando um choque térmico em Kailane.
Imediatamente os familiares da criança a levaram para o Pronto Socorro da cidade piauiense de Parnaíba, que faz fronteira com Chaval. Kailane deu entrada no Pronto Socorro de Parnaíba, na noite do dia primeiro já em coma. A criança permaneceu em coma induzido até a madrugada da última quinta-feira (8), quando teve a morte cerebral anunciada pela equipe médica. O corpo de Kailane foi sepultado, ontem, no cemitério municipal de Chaval sob forte comoção dos moradores da cidade.
Os familiares da criança ameaçam entrar na Justiça contra o médico André Lúcio acusando, que houve negligência através de um erro de ter aplicado medicação forte demais em Kailane. Procurado, ontem, no Hospital de Chaval, André Lúcio não estava. A informação é que ele não voltou mais a unidade após o atendimento de Kailane no último dia primeiro de dezembro.
A diretora do Hospital Elisete Cardoso Passos Pacheco, Elisamar Pereira dos Santos Araújo, informa que Kailane deu entrada na unidade ao meio dia de primeiro de dezembro lúcida e sem hemorragia. “No relatório que a equipe médica nos passou Kailane chegou sem hemorragia e lúcida, apenas chorando muito por estar com medo dos procedimentos. Vamos apurar o que realmente aconteceu para tomar as providências devidas”, garante Elisamar Araújo.

Como aconteceu?
O tio da menina, Manuel de Souza, revela que ela ao tomar banho em casa pela manhã em primeiro de dezembro, caiu e cortou a cabeça e a coxa direita. “Ela cortou a cabeça e a coxa no vaso sanitário ao escorregar no banheiro”, diz o tio. Segundo ele, o médico André Lúcio ao atender a criança aplicou a anestesia para costurar a cabeça e a coxa. “Mas ele disse que a anestesia não estava surtindo efeito. Disse que a anestesia não estava pegando e aplicou várias doses de lidocaína, que acabou provocando o choque térmico na minha sobrinha”, informa Manuel de Souza.
Ela foi levada já inconsciente para Parnaíba. Segundo o tio no caminho para a cidade piauiense faltou oxigênio na ambulância do Hospital de Chaval e que a menina não teve a assistência adequada, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória no transporte para Paraíba. “Ao chegar no Hospital piauiense os médicos tentaram reanimar Kailane, mas disseram que ela já estava morta. Foi então que os pais dela pediram que ligassem os aparelhos para tentar animá-la. Os pais lutaram até quando puderam com o coma induzido, mas ontem ela acabou morrendo de vez”, diz Manuel de Souza.
O tio afirma que o laudo médico que vai indicar a causa da morte de Kailane só sairá dentro de 15 dias. “Lá mesmo em Parnaíba foi colhido sangue dela para exames e o resultado deve ficar pronto em até 15 dias”, finaliza Manuel de Souza.

Comentários 1

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Giovani Carvalho Mendes

10/12/2011 as 15:03

A família, devido à dor e à ignorância, pode até processar ou denunciar o médico como queira, no entanto, o que houve foi uma fatalidade. Todos sabem que o anestésico local Lidocaína ou Xilocaína pode causar reação alérgica (anafilaxia) e nada poderia ser feito antes para prever isso. Tal fenômeno pode ocorrer com qualquer um a qualquer momento, mesmo em pacientes que já receberam doses desse medicamento e nada sentiram. Não há como um médico prever se um paciente terá ou não uma anafilaxia. Isso é impossível. O mesmo acontece com um alimento que possamos já estar “acostumados” a comer (p.ex. camarão): podem de uma hora para outra causar uma reação alérgica que vai de uma simples “coceira na pele” ao choque anafilático. Esse colega possivelmente não dispunha do interior de meios para socorrer a criança no momento da anafilaxia. Lamento informar à família, mas a acusação ao médico é totalmente infundada.