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Serra da Ibiapaba recebe Comitê Integrado de Convivência com a Seca

07:37 · 14.11.2017 / atualizado às 08:21 · 14.11.2017 por
Câmara Municipal de Ubajara, Ubaraja-CE; moradores da Serra da Ibiapaba participam de reunião com o Comitê Integrado de Convivência com a Seca (Foto: André Gurjão).

Ubajara- Os moradores de Ubajara, na Serra da Ibiapaba, receberam, nessa segunda-feira (13) o Comitê Integrado de Convivência com a Seca. O colegiado, presidido pelo secretário do Desenvolvimento Agrário (SDE), Dedé Teixeira, apresentou o balanço das reservas hídricas da Serra da Ibiapaba, que é composta por nove municípios. A população, que depende exclusivamente das águas do Açude Jaburu, também ficou a par das perspectivas de precipitações chuvosas para a próxima quadra invernosa do Estado.

Volume

Construído em 1983, entre os municípios de Tianguá e Ubajara, o Jaburu é responsável por toda a oferta de água da Serra da Ibiapaba, ou seja, cerca de 320 mil habitantes. De acordo com o Portal Hidrológico do Ceará, em sua verificação rotineira, dessa segunda-feira, o açude opera hoje com apenas 21,9% de seu volume total armazenado, tendo acumulado apenas 6% do volume de recarga como resultado das últimas águas que encerraram o período chuvoso no Ceará. Preocupados com as sucessivas estiagens, além da pouca recarga hídrica, os moradores da Ibiapaba já haviam criado, em 2015, o movimento S.O.S. Jaburu, para acompanhar as ações relacionadas ao reservatório.

Sugestões

Ao longo do encontro, os presentes puderam tirar dúvidas e expor suas opiniões sobre a atual situação a qual os municípios, que dependem do Jaburu, se encontram. Para a moradora Daniele Alves, da ONG Movimento Popular Desperta Ibiapina (36), “a minha sugestão é que as leis ambientais sejam cumpridas. A especulação imobiliária está entrando muito, destruindo os nossos cinturões verdes e soterrando os rios Pituba e Jaburu. Preservar é sempre mais viável, do que uma transposição ou qualquer alta tecnologia utilizada, e já temos esse potencial”, acrescentou.

Investimento

Já, para o agricultor Joaquim Aristides (57), uma das soluções para avançar a produção rural em meio a baixa recarga de chuvas dos últimos anos, “seria construir pequenas barragens por meio de parcerias público-privadas, assim reteríamos a água dos nossos rios, antes delas chegarem ao Piauí. Hoje, muitos produtores não possuem condição de adquirir as máquinas para as escavações, mas poderiam colaborar com a doação de óleo diesel e manutenção”, afirmou o agricultor, após saber mais sobre as obras estruturantes realizadas pelo Governo do Ceará, em prol da agricultura, como o Mapeamento do Solo, pelo Projeto São José, com o investimento de R$ 10 milhões, e a entrega do Projeto Navio Pirata, equipamento com tecnologia de ponta que vai apresentar, em detalhes, a influência do aquecimento das águas do Oceano Atlântico no clima cearense.

Açude Jaburu, Ubajara-CE; situação precária do Açude Jaburu, que abastece os municípios da Ibiapaba, esteve na pauta da reunião (Foto: Marcelino Júnior).

Previsões

De acordo com a supervisora do Núcleo de Meteorologia da Funceme, Meire Sakamoto, presente ao encontro, “quanto mais conhecermos o Oceano Atlântico, mais poderemos oferecer uma previsão com um grau de certeza maior”, explicou a supervisora, detalhando que, segundo o Monitor da Secas, “o Estado do Ceará inteiro vive graus diferentes de seca, em maior ou menor severidade. Na Serra da Ibiapaba, por exemplo, o quadro passou a se estabelecer a partir de agosto deste ano e, de lá para cá, reduziu a capacidade hídrica do açude Jaburu em 5,5%. A situação é ainda mais preocupante nas regiões do Cariri, Centro-Sul e Vale do Jaguaribe”, afirmou.

La Niña

Ainda, de acordo com Sakamoto, “o quadro climático atual, não é certeza de chuva, porque precisa se repetir por cinco bimestres consecutivos, até haver a confirmação do La Niña, fenômeno em que ocorre o resfriamento das águas do Pacífico e grandes precipitações no Nordeste brasileiro.A situação do Oceano Pacífico, por exemplo, lembra o início do atual período de seca, entre 2011 e 2012″, alerta a pesquisadora da Funceme.

Agenda

Segundo o secretário do Desenvolvimento Agrário (SDE), Dedé Teixeira, “a ideia principal é transformar os agricultores e os demais atores sociais em sujeitos que opinam e interferem no futuro do Estado, e que eles também recebam informações sobre as obras e as ações do Governo do Ceará”, disse Dedé Teixeira, anunciando para o mês de dezembro, o 10º e último encontro do Comitê neste ano, a ser realizado em Sobral, ainda sem data definida.

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